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Interlagos levanta a bandeira amarela

Já eleto prefeito mas antes de tomar posse, João Doria tirou da cartola uma de suas grandes ideias: levar a Virada Cultural para Interlagos. Justificou dizendo que no autódromo a festa ocorreria “com conforto e sem os transtornos que, infelizmente, pela dimensão que assumiu, ela proporciona”.

Hoje é sabido que foi mais uma bravata do João, cuja serventia foi mostrar que ele não tinha entendido o conceito da Virada, que começou com Serra, firmou com Kassab e cresceu com Haddad.

Mas também serviu para revelar o preconceito do atual governador com festas democráticas, plurais. Na cabeça dele, em cercadinhos e marcados com pulseirinhas e crachás, o gado se comporta melhor.

Eu, que tenho memória, sou obrigado a discordar. Em 1998, sábado de véspera da reeleição de FHC, João Doria promovia em Indaiatuba o Porsche Polo Day, um Garden Party que, como diz o nome, oferecia Porsche e polo equestre para gente de bem.

Os carros eram uns duzentos e seguiram em fila pela rodovia dos Bandeirantes. O polo se resumia a uma partida onde a estrela maior era Ricardo Mansur Filho. Para os convidados era servido champanhe Moët & Chandon e uísque Johnnie Walker Blue Label (palavra, eu trabalhei no convescote e não estou exagerando).

Obviamente, com um bar assim, a beleza dos carros e dos cavalos acabou algo ofuscada. Resultado: na hora da premiação para carro mais bonito, carro mais velho, carro mais original, cavaleiro artilheiro, cavaleiro mais bonito etc, ninguém deu bola.

Então João teve uma ideia brilhante. Anunciou ao microfone que as dez primeiras pessoas que se aproximassem da tenda da premiação ganhariam os cobiçados calendários de modelos nuas produzidos pela Pirelli. Foi um estouro de boiada. O gado rompeu os currais e levou absolutamente tudo: garrafas de champanhe, litros de uísque, relógios de ouro, baldes de prata, taças, troféus, medalhas.

Outra bravata do João prefeito foi a privatização de Interlagos aliada ao tal arco do Jurubatuba. De novo, falta de compreensão. Sendo a região de São Paulo mais precária em infraestrutura de transportes, imaginar ceder parte do autódromo para construção de habitação, quando outras áreas, melhor equipadas, demandam justamente esse esforço para vingarem, é um erro atroz que só pode piorar a cidade.

Ideia ruim que carrega o estigma do erro, antes de nascer já começa a trazer prejuízo. Como se não bastasse o orçamento de 2019 ser o menor para investimentos em corredores de ônibus desde 2013, o atual prefeito Bruno Covas ainda tirou mais R$ 12,3 milhões para gastar… na pista de Interlagos.

Desnecessário lembrar que corredores de ônibus são os equipamentos mais eficientes para fazer menos ruim a vida de quem mora longe e tem que usar transporte público para trabalhar. Cada corredor significa milhares de “meias-horas” a mais de sono, milhares de pais que podem estar com seus filhos no final do dia, milhares de cervejas com os amigos no final de um dia de trabalho, sei lá quantas tromboses a menos por menos problemas de circulação.

Em 2014 o orçamento chegou a quase dois bilhões de reais. Para 2019 teríamos dez vezes menos e, mesmo assim, já começaram a morder. Prioridades. Enquanto isso, a mobilidade segue em bandeira amarela.

 
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O não-governo é oficial

O governo Bolsonaro não irá acabar jamais, e por uma qüestão lógica: para acabar, qualquer coisa precisa antes começar. E o governo Bolsonaro não vai começar.

Na versão brasileira do modelo Trump, ou trompical, a paralisia do não-governo Bolsonaro seguirá como estamos vendo até que algum iluminado, ou um grupo deles, consiga chegar a um acordo para consertarem a bobagem que foi eleger um boçal completo para a Presidência da República. O fato da eleição ter sido legítima e democrática nos limites do que temos no Brasil antes agrava do que ameniza o problema.

Para usar mais uma imagem trumpista, o não-governo é aquele menino paralisado sobre o muro em que subiu não sabe como e muito menos vê por onde descer.

Gente para concluir que é fácil resolver não falta. Tivessem razão, Gustavo Bebianno já estaria no chão, em segurança. Mas a edição extra do DOU acaba de rodar sem a exoneração. Se não é possível tirar um ministro fraco, imagina o governo inteiro – por mais não-governo que seja.

(Atualização: o porta-voz da PR comunicou a exoneração do ministro Bebianno em nota à imprensa. Na secretaria-geral da PR ficará o general Floriano Peixoto.)

O espírito de Di Cavalcanti, pintor boêmio que resolvia seus problemas com não contundentes barrigadas, explicou ao país o tamanho do problema que arranjamos. A foto da primeira reunião sob seu mural no Alvorada é autoexplicativa: moleques babacas jactando onipotência com braços cruzados por não terem a mais remota ideia do que fazer com as mãos. Até o paletó que o menino empresta do pai e veste sobre a roupa da escola para brincar de adulto estava lá.

Onyx Lorenzoni não merece comentário. Paulo Guedes, tendo uma reforma da Previdência para entregar, lançou meia-dúzia de balões de ensaio e viu todos serem abatidos. Sérgio Moro sem toga só é levado a sério em redes sociais. Augusto Heleno sonhou em ser o bruxo que reabilitaria os militares depois de trinta anos, mas já percebeu que, perdida a Vice-Presidência, sua vassoura serve no máximo a fazer faxina. Resta o Mourão.

Neste cenário, temos duas alternativas:

1)   Seguir o modelo trompical e o tripé tuítes, paralisia e emergência, lembrando que não temos as notas dos americanos para passar de ano brincando, e que justificar emergência por aqui só através de uma treta séria com PCC ou Venezuela;

2)   Botar um adulto na sala, oficial ou oficiosamente. Sendo oficial, tem que ser Mourão e esperar que ele se comporte com a moderação de vem demonstrando desde a posse. Oficiosamente seria uma junta, não muito clara e, portanto, imprevisível.

No cenário 1, habitat da BolsoFamília e olavistas, Onyx, Moro e Heleno cabem perfeitamente; mas PaGue e equipe pedem pra sair antes de lançar os cheques sem fundos.

No cenário 2 pode ser que PaGue e equipe peçam para ficar até concluírem a reforma possível, seu gol de honra, mas em seguida darão lugar a um grupo de economistas com perfil nacional-desenvolvimentista, mais alinhado aos militares, onde Heleno obviamente teria espaço e algum protagonismo, Moro poderia permanecer sendo obediente, mas a BolsoFamília, ministros olavistas e Onyx Lorenzoni iriam para um chuveiro morno, com choques térmicos de água fria para lembrarem que tudo sempre pode piorar.

 
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Bolsonaro, barriga e furo

No jargão das redações, “barriga” acontece quando uma notícia falsa é publicada, e “furo” quando o jornalista sai na frente de todo mundo iluminando algo que estava no escuro.

Em 2013 a jornalista Andreza Galiego escreveu para o Observatório da Imprensa uma boa definição barriga e furo. Está aqui. Já no primeiro parágrafo faz um jogo de palavras divertido sobre o possível encontro de ambos: “Um furo pode se transformar em uma barriga, mas uma barriga nunca será um furo.”

Estamos em 2019 e definitivamente a regra foi prescrita. Em um mês e meio de governo Bolsonaro, a praxe oficial passou a ser dizer, desdizer, voltar atrás, embolar tudo e, nesse-meio tempo, usar as redes sociais para chamar de barriga o que na verdade era furo. Os casos são tantos que dispensam exemplos.

Trocadilho inescapável para um presidente que acabou beneficiado por um furo na barriga literal, em atentado sofrido durante a campanha, o furo na barriga de Bolsonaro o protegeu de se mostrar ao país em entrevistas e debates justamente quando se tornava conhecido para além das redes sociais.

E aqui chego ao ponto central, me valendo de outra expressão idiomática: comi barriga. Mesmo acompanhando com atenção e dando meu melhor para entender Bolsonaro e seu entorno, não percebi algo que era claro e evidente: suas ligações com as milícias e o crime organizado no Rio de Janeiro.

Ora, a base eleitoral de Bolsonaro é militar. Nasce no Exército, mas ganha capilaridade e força falando à Polícia Militar do Rio de Janeiro, rendendo trinta anos de mandatos consecutivos com gordura para eleger filhos e até amigos que adotassem seu sobrenome.

Hoje, no Brasil, é mais fácil defender o movimento terraplanista do que negar que a corrupção e o crime organizado miliciano andam de mãos dadas com a Polícia Militar do Rio de Janeiro. Há vasto material em reportagens, entrevistas, livros e filmes, cultura de massa enfim, donde emerge uma figura principal, Rodrigo Pimentel, ex-comandante do BOPE, policial honesto que, exausto, pediu para sair da tropa e hoje se dedica a explicar o problema em sua dimensão mais profunda.

Trabalho ingrato. Pimentel é tido como o “Capitão Nascimento” da vida real, título que recusa, em vão, porque o Brasil não entendeu Tropa de Elite. Continuamos achando que o Capitão é um herói, não percebemos que é bandido. Exemplos da falta de reconhecimento há muitos, como provam as eleições de tantos representantes defendendo que “bandido bom é bandido morto”, ou os aplausos ao segurança do supermercado Extra que estrangulou até a morte um rapaz, na frente da própria mãe, colegas e câmeras.

Ainda assim, prefiro acreditar que entre a maioria que escolheu Bolsonaro para presidir o Brasil, grande parte se vê escandalizada, constrangida e arrependida da escolha feita, e agora se perguntam o que fazer.

Entendo os motivos desse grupo e acredito nas palavras dos amigos e familiares que diziam “ah, mas Bolsonaro não vai fazer as coisas que diz”. Isto é, foram avisados sobre os filhos e Olavo de Carvalho, sobre o general Mourão não reconhecer os limites da própria cadeira, sobre os malucos do PSL que hoje formam a maior bancada da Câmara dos Deputados, sobre a fragilidade das relações com Gustavo Bebianno e Paulo Marinho, sobre a dificuldade que Paulo Guedes teria em impor sua agenda sonhadora. Mas não podiam imaginar Damares, Ernesto Araújo, Ricardo Velez e, sobretudo, não podiam imaginar Queiroz.

E então repito que comi barriga. Os discursos de defesa e as propostas de homenagens a milicianos presentes no histórico de mandatos dos Bolsonaro, somados à amizade de quarenta anos com Fabrício Queiroz, multiplicados pela base eleitoral formada por policiais militares fluminenses estavam na nossa cara e eu não vi. Ninguém viu.

Mas é improvável que dois grupos que hoje integram o núcleo duro do Governo Federal também não tenham visto as evidências: militares e Judiciário. Nominando, general Augusto Heleno, general Villas-Boas e ministro Sérgio Moro.

O Exército comandou a intervenção militar no Rio de Janeiro desde fevereiro de 2018, com acesso aos dados de Inteligência. Como poderiam não saber das relações de Queiroz e dos gabinetes de Jair e Flávio Bolsonaro com próceres do Escritório do Crime e milicianos de Rio das Pedras?

A investigação do COAF chegou ao MP-RJ em janeiro de 2018, alimentando a operação Furna da Onça. Vários processos andaram, quatro governadores e muitos deputados estaduais do Rio de Janeiro foram presos ao longo do ano, mas o caso de Bolsonaro e Queiroz só veio a público em novembro. Quem pode imaginar que, sendo desdobramento da operação Lava Jato, os responsáveis pela Furna da Onça no Rio de Janeiro não informavam seus parceiros em Curitiba, principalmente Sérgio Moro?

 
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Geração Chuck Norris chega ao poder

Desde muito novo receio meus contemporâneos que cresceram inspirados em filmes de justiceiros endeusados como Rambo, Dirty Harry, Chuck Norris – este que acabou mais conhecido pela pessoa física do que pelos personagens e hoje é um astro dos memes.

Aqui em São Paulo os efeitos da inspiração foram nocivos – como não poderia ser diferente com uma geração que somou o “sabe com quem está falando?”, comum ao zeitgeist de qualquer ditadura, com as referências culturais de justiceiros protegidos pela autoridade constituída.

Em visita rápida a qualquer delegacia de bairro “nobre” você poderá conferir, freguesa, que meu receio infelizmente se confirmou. Jovens de classe média viraram agentes da Polícia Civil e andam fantasiados como personagens de filme. Usam armas próprias importadas, roupas e relógios de grife, enfeitam as viaturas conforme o gosto da equipe, sem dar bola para o padrão oficial. Aparentemente, nenhum superior pergunta quem paga a conta.

Como tudo sempre pode piorar, membros da geração justiceira tornaram-se protagonistas da chamada “renovação política”. Incluindo gente que defende a ditadura militar, como o próprio presidente da República, a sociedade elegeu dezenas de representantes ligados à segurança pública ou forças militares.

A aprovação democrática dessa turma naturalmente impulsiona as escolhas dos governos para os primeiros escalões. Na Esplanada nunca se viu tantos militares – mas estes não são os exemplos mais eloquentes da geração Chuck Norris. Gustavo Bebianno e Sérgio Moro, sim.

Ontem o Bolsonaro ZeroDois, vereador Cartucho, publicou no twitter um áudio do pai dizendo ao secretário-geral da Presidência Gustavo Bebianno que só trataria a qüestão do laranjal de seu partido chegando a Brasília. Problema: Bebianno havia dito aO Globo que tratara do assunto com o presidente. Isto é: Cartucho afirmou que o ministro mentiu. E o presidente retuitou endossando, deflagrando o processo se fritura. Ou, como dizem os policiais milicianos de Rio das Pedras, Bebianno foi mandado para o microondas.

Mostrando que é um baluarte da geração Chuck Norris, o ministro Bebianno, nascido em 1964, respondeu com uma frase do Coronel Trautman sobre seu pupilo Rambo: O que eles chamam de inferno, eu chamo de lar. Faca nos dentes.

Bebianno, que presidiu o PSL durante o contrato de locação eleitoral, conhece as entranhas da campanha que elegeu Bolsonaro. E tudo leva a crer que guarda outras duas frases do Coronel Trautman para uso eventual. “Se resolverem enfrentar Rambo, não se esqueçam de uma coisa: levar muitos sacos para mortos”; e, perguntado se achava que Rambo era Deus, respondeu assim: “Não. Deus costuma ser piedoso.”

Outro exemplo é Sérgio Moro. Com tenros 45 anos, o garoto de Maringá ganhou projeção internacional como juiz da 13a Vara em Curitiba. Chegou a ser dito herói nacional por enfrentar poderosos. Com mão pesada, acertou muitas vezes, errou outras tantas, mas deixou saldo positivo.

Ao trocar oficialmente a magistratura pela política, porém, parece ter endoidecido. O paladino de outrora deu lugar a um bagre ensaboado que escorrega toda vez que é chamado a se posicionar sobre suspeitas envolvendo colegas de ministério ou membros do partido e da família do presidente Bolsonaro. E a frustração que vem causando é proporcional à expectativa que alimentou.

De novo, como tudo pode piorar, é ao responder sobre os próprios atos que o ministro Moro mostra ter o DNA do “sabe com quem está falando?” Requerido a responder se teve ou não reunião com representantes da indústria bélica Taurus antes de assinar o decreto sobre armas, respondeu oficialmente dizendo que não responderá por tratar-se de assunto privado e pessoal. Pois é. Ao requerimento eu acrescentaria pedido sobre o inteiro teor da audiência que a advogada Rosangela Moro, mulher do ministro e representante de indústria farmacêutica, teve com o atual ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta durante o governo de transição.

 
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Ironias históricas

Quando presidente, Lula avançou com diversas medidas de combate à corrupção que, ironicamente, vieram a permitir investigação, julgamento e prisão de quadros históricos do Partido dos Trabalhadores e seus comparsas, incluindo ele próprio.

Portal da Transparência, Reforma do Judiciário com a criação do CNMP e CNJ (“é preciso abrir a caixa-preta, dizia Lula), adesão à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, lei da Ficha-limpa, lei de acesso à informação, lei de lavagem de dinheiro, lei anticorrupção que punia empresas corruptoras.

Mais tarde, Dilma viria a se arrepender por ter assinado a lei da delação premiada.

A lista foi lembrada há um ano pelo desembargador Leandro Paulsen, revisor da ação no julgamento de apelação da primeira condenação de Lula. O site jurídico Migalhas preparou um resumo.

Não são casos isolados. O desembargador Paulsen lembrou que o presidente americano Richard Nixon, pego no caso Watergate, foi justamente o criador das leis que permitiram a investigação. E emendou: a lei é para todos.

Hoje, com paladinos de outrora calados, sumidos, perdoando colegas que se desculparam, ou tentando abrigo sob o foro privilegiado que condenavam, busco consolação em gente boa que, escandalizada com as revelações mais recentes, protesta indignada e cobra coerência.

Durante as últimas eleições, o processo contra Geraldo Alckmin andou de lado, mas andou. Assim como o de José Serra. Beto Richa e Marconi Perillo foram presos. Os quatro foram governadores pelo PSDB.

O então juiz Sérgio Moro levantou o sigilo de parte delação de Antonio Palocci  – e apenas a parte em que ele citava Lula e Dilma – na semana da eleição. Em setembro de 2018, Fernando Haddad, candidato do PT, foi denunciado pelo MP por corrupção e lavagem de dinheiro.

Beleza. De novo, a lei é para todos.

Hoje soubemos pela Folha que a investigação do MP RJ sobre Fabrício Queiroz, amigo de Bolsonaro que trabalhava com seu filho ZeroUm na Alerj, desacelerou durante o período eleitoral.

O relatório do COAF citando Queiroz e outros 74 funcionários da Alerj, chegou ao MP RJ em três de janeiro de 2018. Até a eleição do senador Flávio Bolsonaro, o procedimento juntou 37 páginas. De novembro até cinco de fevereiro de 2019, somaram-se mais 300, além de um pen-drive e um DVD.

A favor do MP RJ, diga-se que vem trabalhando firme, com prisões já no começo do ano passado de gente metida em rolos semelhantes, inclusive deputados e milicianos ligados aos Bolsonaro. E que o promotor Cláudio Calo, responsável pelos relatórios adormecidos em 2018 e declaradamente simpático à BolsoFamília, se declarou suspeito quando o processo caiu em seu colo novamente.

Porém, não custa perguntar: a lei é para todos?

Encerro admitindo que me dispersei. A ironia que me fez lembrar os casos no começo da crônica é sobre a disposição do governo Bolsonaro em comprar equipamentos de eletrochoque para cuidar da saúde mental dos brasileiros. Há argumentos contra e a favor. Mas o que eu queria dizer é que, dadas as declarações delirantes de membros do primeiro escalão do governo, é alta a chance de vermos ministros com  eletrodos nas têmporas em breve.

 
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Getúlio e gente de saia

O folclore político conta que Getúlio Vargas, na intimidade, advertia os amigos mais imprudentes: com gente de saia – juiz, mulher e padre – não se briga.

Outro político que é grande frasista, e conhecedor dos escaninhos menos iluminados de Brasília – com trocadilho –, gosta da máxima e já se valeu dela para advertir outros inquilinos do Executivo. Chama-se Roberto Jefferson e tem aconselhado e defendido o governo Bolsonaro diariamente no twitter. Mas até agora não postou a lição. Está em tempo.

Juiz

Um dos filhos do presidente da República já disse que para fechar o Supremo bastava “um soldado e um cabo”. Outro filho, o varão, correu para o mesmo Supremo quando seu calo apertou na primeira instância. E pelo menos dois atritos entre o chefe do Judiciário, Dias Toffoli, e o Palácio do Planalto, já foram contabilizados depois que o ano “de direito” começou – noves fora os ataques históricos dos bolsonaristas à pessoa do presidente do STF.

Mulher

Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, em entrevista à repórter Camila Matoso da Folha de São Paulo, deveria responder sobre os R$ 400 mil enviados do diretório nacional para uma candidata a deputada federal de seu Pernambuco, dos quais R$ 380 mil foram gastos em uma só gráfica, que por sinal tem endereço onde funciona uma funilaria.

A candidata Maria de Lourdes Paixão, que é secretária do PSL, acabou o pleito com 274 votos, e agora, meses depois, diz que não se lembra de tudo. Igual a todo mundo, merece um voto de confiança, da mesma maneira que os indícios de ter sido candidata laranja merecem investigação.

Bivar deveria ter respondido à questões objetivas da reportagem, mas teve uma ideia e atacou de editor: “Uma reportagem bonita da Folha era entrar no lado psíquico da vocação partidária.”  E emendou: “A política não é muito da mulher. Eu não sou psicólogo, mas eu sei disso.”

A favor do presidente do PSL, registro que ele fez ressalvas, nominando algumas correligionárias. Não desfez o mal-estar, mas sacudiu o debate sobre cotas, financiamento público de campanha e seus esquemas entre as deputadas da legenda.

Padre

Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, comprou briga com a Igreja Católica. À uma série de reportagens do Estadão, que revelaram a intenção governo Bolsonaro de infiltrar espiões da Abin nas reuniões de preparação para o Sínodo sobre a Amazônia, previsto para outubro, em Roma, o general insinuou que eventuais posições contrárias dos bispos às medidas do governo poderiam significar ameaça à soberania nacional.

É grave. Se confirmadas a espionagem e a paranoia, ninguém mais estará seguro. Qualquer entidade, partidária, acadêmica, religiosa etc, estará sujeita à infiltração de agentes federais.

 
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Ressaca na Ambev (merecida)

Há mais de dez anos eu dizia que a Cervejaria Ambev seguia pelo caminho errado. Os amigos, devotos de Jorge Paulo Lemann e companhia, diziam que eu era louco, despeitado, ou simplesmente suspiravam com desdém.

Bom, eles também seguiam cegos as lições do Abílio Diniz e de qualquer bocó que juntasse mais de um bilhão no porquinho.

Como a Ambev sempre foi antes uma empresa financeira do que uma cervejaria, a matéria do Estadão começa mostrando a derrota monetária: em 2018 o Ibovespa avançou 15% e as ações da Ambev despencaram 30%. Para quem gosta de cerveja, pense numa garrafa de 600 ml que venha só com 400 ml.

Para quem bebe cerveja o pior não é a quantidade, mas a qualidade. Para fazer meia dúzia de super ricos, os tenentes do comandante Lemann não pensaram duas vezes antes de destruir receitas e marcas que faziam parte do histórico afetivo e cultural do Brasil.

O modelo de administração da Ambev é o que mais se aproxima do padrão cubano. Estranho? Então o que significa fazer meia dúzia de bilionários se valendo de táticas de guerrilha, destruindo produtos consagrados, desconstuindo marcas históricas? E aprisionar funcionários graduados com remuneração em ações que só valem se continuarem trabalhando na companhia? E mandar ao paredão do constrangimento soldados rasos que não “batem metas”? Há diversos casos de assédio moral envolvendo a empresa.

A Ambev agride até quando quer ser simpática. O chamado segmento premium, cuja uma das marcas é a Cervejaria Colorado, avisa em suas caixas: “Canibalizamos a lei alemã de pureza”. Quando compraram a Stella Artois,entraram nos escritórios europeus com cartazes de “incentivo” propagando as táticas de guerrilha usadas no Brasil, tratando concorrente como inimigo. Levaram um pito. Todo europeu tem um parente morto ou mutilado por guerra e definitivamente eles não gostam de analogias escroques com o tema.

Por falar em seguimento premium, a busca pela redenção passa pelo lançamento de marcas como Skol Puro Malte. Ora, a receita original da Skol provavelmente levava puro malte. Quem destruiu para ganhar mais dinheiro foi a Ambev. Encheram de milho e fazem lobby pesado (em 2014 a Ambev ajudou na eleição de 76 deputados de 19 legendas diferentes) para ampliar ainda mais proporção permitida, mais ou menos como se um produtor de leite pedisse autorização legal para misturar água em seus produtos.

A voracidade da “cervejaria” se estende a refrigerantes. Os devotos de Jorge Paulo, que frequentemente defendem o Estado Mínimo com fervor, são os mesmos que consideram natural terem privilégios fiscais para produção de guaraná e outras águas com açúcares embalados em garrafas pet na Zona Franca de Manaus. Estado mínimo nos olhos alheios, para eles é refrigerante.

Como está sol lá fora e eu não quero estragar o fim de semana de ninguém, fico por aqui. Vou sair para tomar uma Heineken e deixar a turminha da Ambev curtindo a ressaca financeira, que é a única que lhes toca os improváveis corações.

 
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Nosso Vale do Rio Doce interno

Há anos me surpreendi com a ficha técnica de um leilão de gado. Entre as várias classificações dos animais, constava “temperamento”. Ainda mais estranho era absolutamente ninguém dar bola para tanto.

Curioso irremediável e sem mais o que fazer além de aproveitar o uísque generoso de todo leilão, fui assuntar.

Um amigo explicou: padrão internacional. E quiçá notando a curiosidade igual ou maior na minha cara, acrescentou: na Europa quem tira o leite da vaca é o dono, ou a família do dono, então eles cuidam para que a vaca seja mansa.

Para ficar mais claro, tomemos por exemplo um bicho mais comum. Para brincar com as suas crianças, os pais tendem a preferir labradores a dobermanns.

Aqui no Brasil ninguém liga para o temperamento do gado. Salvo um excêntrico invejável como o ministro Mauro Aurélio Mello, que para ter leite fresco mantém uma vaca no jardim de casa em Brasília, o padrão do mercado é que o peão cuide da vaca. E sai mais barato substituir o peão contundido por um coice do que investir em vaca mansa.

No plano doméstico é igual. Chega a ser comovente ouvir os relatos de brasileiros chegando de Miami encantados com os supermercados americanos como a criança que viu a Cinderela. Exclamam: os equipamentos para lavar louça são incríveis! A gente nem encosta no sabão. Um ou outro mais entusiasmado chega a trazer na mala os acessórios de pia. Mas preservam para usar na folga da empregada. Enquanto isso, tome buchinha.

O lenço perfumado descartável, que num passe de mágica faz a roupa sair passada da máquina de secar, por lá também encanta e por aqui não se encontra. Lógica: é mais barato pagar a passadeira.

Com roupa nova é igual. Até em outlet americano qualquer freguês encontra roupa compatível com suas medidas. No Brasil sai mais barato fazer a calça com um palmo de pano extra e pagar a costureira para fazer a bainha. Quantos metros de jeans vão para o lixo diariamente?

Olho a fachada espelhada de um grande banco que acaba de distribuir uma dúzia de bilhões para meia dúzia de acionistas. Três peões fazem a faxina. Dois seguram as escadas, emendadas uma na outra para chegar na último vidro, e o terceiro opera o rodo, também emendado com outros cabos reutilizados. Para satisfazer minha certeza, pergunto e eles confirmam orgulhosos: são terceirizados e fizeram o menor preço.

Caso o mais experiente, que fica lá no alto, despenque e rache o coco e/ou a espinha na calçada, será substituído por um sobrinho que precisa ajudar em casa. Com sorte, será velado e em pouco tempo esquecido. Sem sorte, padecerá numa cama, esperando alguém chegar em casa para lhe dar água, comida e virar seu corpo para evitar escaras.

Dentro das agências não é diferente. A cadeira vagabunda entortou na primeira semana e segue empenando diariamente, no que é acompanhada pelas costas da menina do caixa.

Voltando para o campo, relevemos um pouco mais de defensivo naquela lavoura distante. Não há de ser nada. Mas por via das dúvidas, na fazenda aqui perto que virou condomínio, espalhemos pitorescas galinhas d’Angola contra cobras e escorpiões; girinos e peixinhos nos lagos do gólf para larvas de mosquitos. Afinal, não queremos conviver com veneno.

Fique à vontade o freguês que quiser me mandar tirar carteirinha do PT, ir para Cuba ou passar fome na Venezuela. Respondo antecipadamente: conclusões assim mais ajudam do que combatem populistas e ditadores de plantão.

Da mesma maneira, sinta-se à vontade quem preferir continuar chorando a morte das centenas de funcionários e vizinhos da Vale em Brumadinho e Mariana, os afogados da Rocinha, os meninos carbonizados no Ninho do Urubu, os 300 motoboys que morreram no trânsito de São Paulo em 2018. Um deles deve ter entregado o seu x-burger. Tranquilo: o aplicativo já encontrou outros.

Só não venha me dizer que as nossas decisões cotidianas são diferentes da tomada pelo executivo que fez uma barragem a montante com refeitório embaixo. Se diferença há, está na dose. O veneno é o mesmo. É amargo, eu sei. Mas corre pelo nosso vale do doce interno dia sim e outro também.

Está sol lá fora. Bom final de semana.

 
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Epidemia de diz-que-diz

Trata-se de uma epidemia. Dizer e desdizer, aproveitando para esculhambar a imprensa que dá a notícia no meio do caminho, tornou-se corriqueiro no Brasil. A escolinha do professor Jair contaminou a Nação e já revela enfermos dentro do Planalto, no Legislativo e no Judiciário.

O ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio foi exonerado na manhã do 6 de fevereiro, com direito a assinatura do ministro da Justiça Sérgio Moro, que não apareceu em outras exonerações de colegas de Esplanada. Se a burocracia foi assim caprichada, a comunicação foi nas coxas, ignorando a praxe republicana de avisar a imprensa sobre os motivos de exonerações no primeiro escalão de Governo.

Acusado de ter cultivado um laranjal eleitoral na campanha para deputado federal pelo PSL de Minas, a exoneração do ministro Antônio sem aviso prévio parecia uma consequência óbvia para um governo eleito afirmando intransigência com malfeitos. Chegou a ser comemorada pela correligionária Carla Zambelli (PSL-SP). Só que não. Serviu apenas para que o ministro tomasse posse na Câmara, posto que na data comum aos demais estava afastado por motivos médicos.

Também eleito deputado federal pelo PSL, o fluminense Marcio Labre é uma das flores da chamada renovação política. Com poucas horas de mandato, protocolou um projeto de lei que proibia DIU, progestógeno em pílula ou implante subcutâneo, pílula do dia seguinte e outros dispositivos contraceptivos. Com a repercussão negativa, o novo deputado retirou o texto e disse que foi engano, inaugurando oficialmente a pílula do dia seguinte parlamentar.

No Judiciário, fez barulho a juíza Gabriela Hardt. Em 19 de janeiro a meritíssima indicou a advogados que deixaria a sentença sobre o sítio de Atibaia ao substituto definitivo do juiz Sérgio Moro. A Folha deu a nota, que repercutiu em outros veículos sem desmentido. Ontem veio a sentença assinada pela juíza Hardt.

Se a ideia é tentar serenar os ânimos e preservar a credibilidade do país e das instituições, convém a todos nós evitar esse tipo de falta.

Sobre a sentença

Quando do depoimento de Lula, juíza e réu chegaram a se estranhar em alguns momentos. Um foi parar na camiseta que a primeira-dama Michelle Bolsonaro usou no Natal. O outro envolvia questão de gênero sobre cozinha. Lula, conhecido pela receita de coelho ensopado, fez marola dizendo que não entende de cozinha. Gabriela mergulhou na irrelevância afirmando que não sabe cozinhar.

Em linguagem vulgar de restaurante, quando a cozinha não está atendendo à demanda do salão, dizem que o chef está “nadando”. A juíza Hardt é nadadora de longo curso, e pode-se dizer que nadou na cozinha da 13a Vara de Curitiba.

A sentença contém erros crassos, como atribuir ao mesmo réu dois depoimentos, um pelo nome de batismo e outro pela alcunha, além de outros tantos que podem ser atribuídos à digitação, mas que ficam abaixo do padrão Moro.

Também salta aos olhos a diferença nas penas aplicadas aos diversos réus, notadamente os acusados de ligação direta com os crimes. A não ser que tenha prevalecido o ditado “ladrão que rouba ladrão…”, e a juíza considerado que pelas imagens da casa os R$700 mil para reformas sofreram várias mordidas pelo caminho, se os réus roubaram juntos, deveriam ser punidos com igual rigor.

A espuma das braçadas nessa natação parece interessar aos dois lados. A defesa de Lula afirma que seu cliente é perseguido, que considerando o domicílio do réu e localização dos imóveis (sítio e tríplex) não tem cabimento a ação estar em Curitiba, e muito menos o ex-presidente já preso antes de transitado em julgado etc. E o pragmatismo jurídico, que seria pedir a prescrição dos crimes só aparece no final da defesa.

Da parte da juíza Hardt, mais espuma. Em 350 páginas, salvo engano (admito pulei trechos da leitura, mas procurei à exaustão a resposta para a alegação de prescrição sem encontrar),  a meritíssima, tendo fixado a pena em concreto, não analisou a possível prescrição.

Resultado: em mais um diz que diz, poderemos ter, em breve, os desembargadores do TRF-4 debruçados sobre calhamaços de papel para responder a uma única e exclusiva questão, encerrada em uma linha: o caso de Lula em Atibaia prescreveu?

Com todo respeito ao trabalho da Justiça e sobretudo ao direito de defesa, reconhecendo que meia justiça já é injustiça, e que diante dela ninguém está sozinho ou protegido, particularmente eu flerto com o desejo por definições mais claras, que economizassem a atenção da opinião pública.

Pelo mérito podemos aguardar Haia falar. Mas o Brasil é aqui e agora e não há mais folego para diz-que-diz.

 
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Brumadinho e meu canteiro de obsessões

Rodrigueano, tenho meu canteiro de obsessões. Não vou enumerar aqui para evitar que me acusem sempre que brotar uma flor. E porque flores aleatórias são ainda mais bonitas.

A apreensão dos computadores dos engenheiros da Vale e empresas contratadas escancarou o crime em Brumadinho. Agora sabemos que a tragédia foi anunciada com 48h de antecedência, tempo bastante para que ninguém tivesse morrido. Também sabemos que as sirenes, que não tocaram, estão intactas. Fosse um atentado terrorista para matar centenas de pessoas, provavelmente não teria sido tão bem-sucedido.

Dito isto, vamos à duas das minhas obsessões:

1)   Pacto empresa/Estado. Uma gigante como a Vale não pode ser administrada como empresa vulgar. Mesmo com tudo funcionando bem, estará errado. É fundamental que haja, como no estado republicano, democracia, participação social, conselhos locais.

O Brasil tem só 35 fiscais para 790 barragens de mineração? Na prática, sim. Mas em Brumadinho e nas 789 outras localidades há gente disposta a fiscalizar e participar de conselhos voluntariamente.

Falta é disposição das empresas em se abrir. O desprezo pelas pessoas, por suas ideias e suas vidas, como ficou provado no incidente, impera.

Precisamos de regras ou leis, e principalmente de um entendimento que estabeleça esse diálogo e institua conselhos deliberativos locais para operações de impacto, pertinentes à vida das pessoas e das cidades, ao modelo dos conselhos administrativos e de acionistas que tratam das finanças.

O tsunami doloso da Vale foi físico. Matou centenas de pessoas. Mas a concentração de renda e poder em diversos outros setores, físicos ou virtuais, vem causando outros tipos de destruição mundo afora. As decisões sobre como vamos enfrentar este problema não pode ficar nas mãos de meia dúzia.

2)   Municipalização. É mais ou menos o mesmo conceito sobre os conselhos, mas da perspectiva de Estado.

Se para a diretoria da Vale, instalada com todo conforto no Rio de Janeiro, assumir o risco sobre centenas de vidas em Brumadinho foi uma decisão fria e fácil, não foi diferente nos gabinetes dos secretários ou do governador em Belo Horizonte, ou do ministro e do presidente da República em Brasília.

Ao passo que, se cada um deles almoçasse no refeitório da Vale em Brumadinho, ou morasse com a família num sítio no caminho da lama, obviamente teriam outro tipo de cuidado.

Daí a importância de dar mais e mais autonomia aos municípios, às comunidades. O clamor paroquial por decidir como se quer viver é mundial.

Brumadinho é uma cidade sem graça. Uma não-cidade, como a maioria das cidades espalhadas pelo Brasil. O impacto positivo que a Vale causou, desde o começo da operação no cotidiano citadino, é nulo ou imperceptível. Contratou pessoas, é verdade; pagou royalties, o que é também. Assim como é verdade que por suas vidas e cidades não tinha qualquer consideração. Para a diretoria carioca, Brumadinho era um depósito de recursos-humanos.

Inhotim é só uma feliz coincidência. Está em Brumadinho como poderia estar em qualquer lugar. Bernardo Paz, minerador e rico pra chuchu, mas insignificante se comparado à Vale, mostrou que é possível fazer coisas belas e gratificantes pelas pessoas, por suas vidas e cidades.

 

 

 
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